cancer de colo uterino

cancer de colo uterino
0 22 março 2017

O câncer de colo uterino representa um grande transtorno na saúde mundial, tendo sua prevalência em países em desenvolvimento. Apesar de ser uma doença de fácil prevenção, em 2012 aproximadamente 35.700 mulheres morreram nas Américas. No Brasil o câncer de colo de útero é o terceiro mais comum na população feminina, computando apenas em 2013 cerca de 5430 óbitos e para o ano de 2016 foi estimado 16.340 novos casos da doença.
O câncer cervical, dentre todos os tumores malignos, é o que tem prevenção mais eficaz através de programas de rastreio. Os testes de rastreamento tem como principal objetivo a possibilidade de detecção precoce da doença, evitando assim tratamento invasivo e além disso possibilita o diagnóstico até mesmo da população assintomática. Um bom exemplo, é a identificação de lesão de baixo grau, em que o rastreio permite seu tratamento imediato ou até mesmo seu acompanhamento, possibilitando observar a sua regressão ou até mesmo sua progressão para câncer invasivo.
Uma das principais causas de displasia e neoplasia cervical é o HPV (Human Papiloma Virus) representando 99% dos cânceres cervicais. Apesar desta grande prevalência a maioria da população feminina elimina naturalmente o vírus com a resposta auto-imune normal, e aquelas que não eliminam são facilmente diagnosticadas e tratadas no estágio pré-canceroso.
Este tipo de câncer é precedido por uma neoplasia intraepitelial cervical (NIC), sendo classificado em graus I, II e III, de acordo com a proporção da espessura do epitélio escamoso composto de células indiferenciadas e sua probabilidade de desenvolver uma neoplasia. As infecções persistentes de HPV, principalmente do tipo 16 e 18, podem evoluir para lesões pré-cancerosas e cancerosas, em seus diferentes estágios, podendo ser revertidas espontaneamente em estágios como NIC I e apresentando dificuldade de regressão a partir do NIC II.
O HPV infecta e se replica em células escamosas, principalmente na cabeça do pênis, boca, garganta, vagina, ânus, colo de útero e vulva. Os HPVs dos genótipos 16 e 18 representam cerca de 70% dos carcinomas de células escamosas e mais de 80% dos casos diagnosticados como adenocarcinoma. Portanto, o rastreio primário deve se basear em metodologias que tenham maior sensibilidade para a detecção para estes dois genótipos de HPV.
Em alguns casos a pesquisa de HPV é utilizado em conjunto com o exame citopatológico de colo uterino para suprir a limitação deste, porém ambos não identificam a presência ou ausência de câncer cervical ou seu precursor. Contudo, essas limitações podem ser compensadas pela triagem com detecção simultânea das proteinas p16 e ki-67 em células de amostras com resultados positivos para o HPV de alto risco (tipos 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 66 e 68), exceto para o tipos 16 e 18, estes seriam encaminhados a colposcopia imediatamente. A presença da proteina ki-67 indica proliferação celular ativa, todavia em conjunto com a proteina p16 indica desrregulação do ciclo celular, podendo assim indicar a transformação oncogênica celular. A literatura sugere que o uso de marcadores imunohistoquímicos, como o p16 e Ki-67, na prática diária dos patologistas, poderia aumentar a reprodutibilidade diagnóstica.
Com o aumento da abrangência da vacina contra HPV haverá a exigência de uma demanda de testes altamente objetivos, como o teste de HPV primário e a coloração dupla com p16 e ki67. Ou seja, o uso de testes baseados nas tecnologias moleculares objetivas e biomarcadores será de extrema importância para identificar com precisão as pacientes imunizadas que correrão o risco de desenvolver o câncer de colo uterino.

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