Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação do Perfil Lipídico

Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação do Perfil Lipídico
0 14 julho 2017

Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico

Abramed – Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica

SBPC – Sociedade Brasileira de Patologia Clínica

SBC – Sociedade Brasileira de Cardiologia

Departamento de Aterosclerose

SBEM – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

SBAC- Sociedade Brasileira de Análises Clínicas

 

Flexibilização do Jejum para a Avaliação do Pefil Lipídico

A revisão do jejum para a determinação do perfil lipídico: Colesterol total, LDL, HDL e Triglicerideos, tem as seguintes motivações:

  • O estado alimentado predomina durante a maior parte do dia, estando o paciente mais exposto aos níveis de lípides nestas condições em comparação com o estado de jejum, representando mais eficazmente seu potencial impacto no risco cardiovascular.
  • As dosagens pós-prandial são mais práticas, viabilizando maior acesso do paciente ao laboratório, com menor perda de dias de trabalho, abandono de consultas médicas por falta de exames e maior acesso à avaliação do risco cardiovascular.
  • A coleta no estado pós-prandial é mais segura em diversas situações, seja no paciente com diabetes mellitus usando insulina, cujo risco de hipoglicemia pelo jejum prolongado pode causar acidentes, nas gestantes, nas crianças e nos idosos, minimizando intercorrências e aumentando a adesão para realizar exames e o comportamento às consultas médicas.
  • As determinações de colesterol total, HDL, LDL, não diferem significativamente se realizadas no estado pós-prandial ou no estado de jejum. Há um aumento nos níveis de triglicerídeos no estado alimentado, porém este aumento é pouco relevante desde que se considere uma refeição usual não sobrecarregada em gordura, havendo a possibilidade de se ajustar os valores de referência.
  • Com o jejum flexível para o perfil lipídico há maior amplitude de horários, reduzindo assim o congestionamento nos laboratórios, especialmente no início da manhã, com mais conforto para o paciente.

 

 

  • Com avanços tecnológicos nas metodologias diagnósticas, os principais ensaios disponíveis mitigaram as interferências causadas pelas maior turbidez nas amostras, decorrentes de elevadas concentrações de triglicerídeos. Contudo, há potenciais limitações, especialmente referente aso calculo do LDL, onde estudos de desempenho entre diferentes metodologias têm demonstrado a necessidade de revisão das práticas de utilização das fórmulas utilizadas.

 

Recomendação para o atendimento do paciente no Laboratório Clínico

 

  • Coleta de amostra sem jejum para o perfil lipídico: poderá ser realizado pelo laboratório com a presença da informação do estado de jejum, no momento da coleta da amostra, no laudo laboratorial
  • Solicitação medica sem definição do tempo de jejum; e que não contenha outros exames sabidamente requerentes de jejum; recomenda-se incluir o tempo informado de jejum no momento de coleta .
  • Presença na mesma solicitação de outros exames que necessitem de jejum: o Laboratório clinico poderá definir que o perfil lipídico seja coletado com jejum de 12 horas, quando os outros exames , que estão sendo solicitados na mesma requisição, também necessitam desse período de jejum.
  • Quando tem a indicação de um tempo específico de jejum: se na solicitação do médico há um tempo especifico de jejum, o laboratório deverá seguir tal recomendação.
  • Quando os níveis de triglicerídeos no estado pós-prandial estiverem em situações especiais como> TG> 440 mg/Dl , em recuperação de pancreatite por hipertrigliceridemia ou em inicio de tratamento com drogas que causam hipertrigliceridemia severa, será recomendado ao médico solicitante a prescrição de uma nova avaliação de triglicerídeos com jejum de 12 horas.

 

Recomendações de modelo de laudo laboratorial

 

O laudo laboratorial é de responsabilidade do Laboratório clínico e de seu Responsável Técnico. Com o intuito de alinhamento e harmonização entre instituições, recomenda-se das seguintes informações no laudo.

  • Valores referenciais e de alvo terapêutico do perfil lipídico ( adultos) de acordo com a avaliação de risco cardiovascular estimada pelo médico solicitante estão descritos abaixo:

 

 

 

Tabela I: Valores referencias e de alvo terapêutico para Adultos

LÍPIDES SEM JEJUM ( mg/dl)

 

Colesterol total

 

<190 mg/dl
HDL

 

>40 mg/dl
Triglicerídeo

 

< 175 mg/dl
LDL

 

<130 mg/dl

 

 

Tabela II: Valores referencias desejáveis para crianças e adolescentes:

LÍPIDES

 

SEM JEJUM ( mg/dl)
Colesterol Total < 175 mg/dl

 

HDL >45 mg/dl

 

Triglicerídeos ( 0 a 9 anos) <85 mg/dl

 

Triglicerídeos ( 10 a 19 anos) < 100 mg/dl

 

LDL < 110 mg/dl

 

  • Pacientes com diabetes e sem fatores de risco ou sem evidência de aterosclerose subclínica devem manter LDL abaixo de 100 mg/dl. Já para pacientes com diabetes e com fatores de risco ou doença aterosclerótica subclínica devem usar com referência LDL abaixo de 70 mg/dl. Pacientes com história de Infarto agudo do miocárdio, AVC ou revascularização coronariana, carotídea ou periférica devem manter o LDL abaixo de 50 mg/dl.
Posted in Artigos