Dengue, Chikungunya e Zika

Dengue, Chikungunya e Zika
0 18 dezembro 2015

Dengue, Chikungunya e Zika

A dengue , isoladamente, é uma doença que preocupa os órgãos de saúde do Brasil, pois esta presente praticamente em 100% do território brasileiro. Atualmente com a chegada de duas novas doenças transmitidas pelo mesmo vetor, o Aedes aegyptis, a preocupação se redobra. Essas doenças são a Chikungunya e a Zika. Apesar de possuírem o mesmo vetor em comum, os vírus são distintos. A Dengue conta hoje com cinco tipos virais já identificados, sendo que já foi registrada a presença dos quatro primeiros no brasil. O vírus causador da Chikungunya é o CHIKV vírus, e da Zika, o ZIKV vírus. Além de vírus distintos, as doenças também são distintas, bem como suas consequências para a população. Apesar de sinais clínicos em comum, há manifestações distintas que podem diferenciar seu diagnostico.

No Brasil, até 2014 somente a Dengue era conhecida, em 2014 foram confirmado os primeiros casos de Chikungunya em pacientes oriundos da América Central, principalmente Haiti e República Dominicana. Em maio de 2015 foram confirmados os primeiros casos de Zika, proveniente principalmente do Rio Grande do Norte e Bahia.

Diante deste novo quadro no Brasil, com a circulação de novos vírus potencialmente danosos a população, vê se a necessidade de medidas emergenciais.

Aqui vamos nos ater a falar da Chikungunya e Zika.

 

1 – Chikungunya

A Chikungunya ou febre de chikungunya é uma doença causada pelo vírus da família Togaviridae do gênero Alphavirus, transmitida pela picada de fêmeas dos mosquitos Aedes aegyptis e Aedes albopictus infectada pelo vírus CHIK20. Foi relatada pela primeira vez em 1950 na região da Tanzânia.

A chikungunya é caracterizada por dores articulares de forte intensidade por vezes com febre > 38,5 graus C, dor de cabeça e dores musculares. O quadro mais importante na maioria dos casos é a artralgia simétrica, observadas nos tornozelos, dedos dos pés, cotovelos, punhos, dedos das mãos e joelhos. A duração desses sintomas é mais ou menos 10 dias, mas pode estender-se por meses, podendo em 12% dos casos desenvolver problemas articulares crônicos. O período de incubação no homem é em média 3 a 7 dias. Após o período de incubação iniciam-se as fases da doença que são: fase aguda ou febril, fase subaguda e fase crônica

Na fase aguda o paciente apresenta febre de inicio abrupto, poliartralgia, dor nas costas, dor de cabeça, cansaço, calafrios, dor nos olhos, náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal e inchaço.

Na fase subaguda a febre cessa e a artralgia se destaca com maior persistência ou agravamento, aparecendo nessa fase prurido generalizado e exantema maculopapular.

Na fase crônica destaca-se pela persistência dos sintomas.

O hemograma é o exame laboratorial solicitado pelo médico para acompanhamento da doença. Outros testes como as transaminases, creatinina e eletrólitos são indicados para pacientes em estados graves.

 

2 – Zika

O Zika vírus (ZIKV) foi identificado pela primeira vez em 20 de abril de 1947 em Uganda na África, em um macaco do gênero Rhesus. Em seres humanos o vírus foi descoberto em 1952 em Uganda e Tanzânia e em 1968 na Nigéria. Apesar de o vírus já existir por vários anos, somente em 2015 foram registrados os primeiros casos confirmados de infecção do ZIKV no Brasil.

O período de incubação do ZIKV pode variar de 3 a 12 dias após a picada do mosquito Aedes aegyptis ou Aedes polynesiensis. As manifestações clínicas incluem : Artralgia, edema de extremidades, febre moderada que varia de 37,8º a 38º C, erupções pruriginosas maculopapular, dor de cabeça, conjuntivite não purulenta, vertigem, mialgia e distúrbio digestivo, os sintomas podem durar 4 a 7 dias. Apesar de ser uma infecção viral considerada leve e, na maioria assintomática, o ZIKV em casos mais severos pode acometer o sistema nervoso central.

Não há vacina ou tratamento específico para o ZIKV. O tratamento é semelhante ao da Dengue clássica, que inclui a ingestão de grande quantidade de líquido, para combater a desidratação, para alivio da febre indica o uso de acetaminofeno ( Paracetamol) ou dipirona e anti-histamínico podem ser usado em caso de erupções pruriginosas.

Os exames laboratoriais mais específicos para o diagnostico da infeção pelo ZIKV, é a identificação do RNA viral pela técnica de RT-PCR ( Reação da cadeia de polimerase da transcriptase reversa), sendo ideal realizar o exame após o 4º dia do aparecimento dos sintomas

OS testes de ELISA ou imunofluorescência são amplamente utilizados para a confirmação do diagnostico, no entanto, devido a baixa concentração de anticorpos IgG e IgM na fase de incubação, torna-se mais difícil a identificação do vírus.

 

Com a presença de três doenças circulando simultaneamente e com alguns sintomas semelhantes entre si, diferindo as vezes na intensidade, se faz necessário o diagnostico correto, para evitar o agravamento.

A Dengue continua sendo a doença que causa a maior preocupação no momento atual, mas não se pode negligenciar a Chikungunya e a Zika, que já estão presentes e podem se tornar novas epidemias , trazendo consequências graves à população.

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