DENGUE: UMA ABORDAGEM CLÍNICO-LABORATORIAL

DENGUE: UMA ABORDAGEM CLÍNICO-LABORATORIAL
0 10 fevereiro 2015

DENGUE: ABORDAGEM CLÍNICO-LABORATORIAL
A dengue é uma doença infecciosa febril aguda que pode ser de curso benigno ou grave, dependendo da forma como se apresenta. O agente da dengue é um vírus de RNA do gênero flavivírus, pertencente à família flaviviridae, e que se apresenta sob quatro sorotipos distintos: DENV1; DENV2; DENV3 e DENV4.
A dengue em sua forma clássica ocorre após um período de incubação de, aproximadamente, cinco a sete dias e inicia-se com febre alta, acompanhada de calafrios, cefaleia, mialgia, prostração intensa, rash cutâneo, mais frequentemente macular e, as vezes, escarlatiniforme. É importante lembrar que a intensidade e a gravidade das manifestações estão relacionadas à idade do paciente. Assim crianças tendem a apresentar formas mais leves da doença, sendo em 80% dos casos assintomática. Entretanto, quando se manifesta clinicamente , a criança apresenta febre alta acompanhada de apatia, sonolência, recusa alimentar, vômitos e diarreia, sintomas estes semelhantes a outras viroses, o que dificulta a diferenciação clínica.
As manifestações iniciais da dengue hemorrágica são as mesmas da forma clássica. Entretanto, após o terceiro dia, quando a febre começa a ceder, aparecem sinais de hemorragia, como sangramento nasal, gengival , vaginal, rompimento dos vasos superficiais da pele, dentre outros. Em casos mais raros, podem ocorrer sangramento no aparelho digestivo e nas vias urinárias.
Após a infecção, a imunidade permanente é adquirida apenas para um mesmo sorotipo do vírus, sendo possível a ocorrência de reinfecções pelos outros sorotipos. Entretanto, após a primoinfecção, ocorre imunidade cruzada transitória entre sorotipos diferentes. Distinguem-se dois tipos de resposta imune ao vírus da dengue: a primária, em que prevalece a IgM em relação à iGg e as secundária, em que prevalece a produção de IgG. Vale ressaltar que pacientes que já apresentaram infecções por flavivírus, vacinados contra febre amarela e crianças que receberam anticorpos da mãe, por exemplo apresentarão padrão de resposta secundária.
O diagnóstico da dengue em humanos é feito com base em dados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. O diagnóstico laboratorial é realizado tanto com exames inespecíficos ( hemograma, plaquetas, coagulograma, provas de função hepática), como específicos ( teste de isolamento viral, sorologia para pesquisa de anticorpos , pesquisa de antigeno NS1). Como principal exame inespecífico, destaca-se o hemograma mostrando leucopenia , por vezes intensa , neutropenia com presença de linfócitos atípicos e trombocitopenia. Dentre os exames específicos, destacam-se os testes sorológicos com pesquisa de anticorpos e antigenos como sendo os mais rápidos. Os níveis de IgM apresentam-se aumentados após o sexto dia do início da doença até o seu pico máximo , que ocorrem em torno do decimo dia, com posterior declínio até se tornarem não detectáveis . Já as imunoglobulinas IgG, aparecem um ou dois dias após as IgM, e geralmente permanecem detectáveis pelo resto da vida. O antigeno NS1, por sua vez, aparece já no primeiro dia de infecção mantendo-se em níveis detectáveis aproximadamente até o nono dia.
Estudos demonstram que o método de pesquisa de antigeno NS1, tem alta sensibilidade e especificidade em comparação com outras técnicas diagnósticas. Além disso, por possibilitar a confirmação diagnóstica precoce da doença, permitindo o aprimoramento do manejo clínico dos pacientes.

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